Terça-feira, Setembro 29, 2009

Um Toque de Sol !







A um vadio...


Acorda...
Entre as gaivotas do areal
Ou as giestas de cor madura
E pelas águas de sabor a sal
Deixa-se adormecer.


Leve, deslizante e ousado
Cresce pelo dia, até ao fundo
Do corpo transpirado.


Em murmúrios pela pele
Vindima-se o silêncio
Feito licor de sabor a mel.


Vadio...
O Sol de Verão, voltou!
(Alguém disse que fugiu...)


Entre o Verão e o Outono
Entre a manhã e a noite
Deixa-se o tempo ao abandono
Perdido pelo Sol de Estio.


su@vissima





Quarta-feira, Agosto 12, 2009

O Toque de um abraço !








Um simples abraço...




Queria que os meus braços
Te contassem histórias de Sol dourado
Que amadurece campo de girassóis
Nunca antes semeado!



Como eu queria...simplesmente
(desaguar na foz do teu rio?!)
Envolver o meu abraço no teu
E a minha pele respirar
Dentro da fronteira do teu céu.



Tanto que eu queria...adormecer
(desenhando viagens no teu corpo?!)
E com as minhas mãos silenciosas
Deixar-me a aprender...
O (desa)sossego dos teus lábios.
Queria...simplesmente!


Su@vissima







Quarta-feira, Julho 29, 2009

O Toque de uma rima !








Procuro-te...




Desde a madrugada
(de uma outra vida)
Que procuro uma rima!
Uma rima quebrada
(inteira ou partida!)
Que se faz de mim, perdida!

Subi à falésia
E pedi ao vento um sinal
Uma rima nunca ouvida
(Jamais dita ou escrita)
Uma palavra doce, em ti nascida.

Corri a procurar no mar
Nas gaivotas de voo ausente
No beijo de sabor a despedida
Que a água faz marulhar
À hora de maré crescente.

Se até ao Sol eu perguntei
Quando já ia quase no poente
E mais à lua, ainda adormecida
Por tal rima, de uma outra vida.

Mas não! Ainda não a encontrei
Fazes-me falta
Rima escondida!








Sexta-feira, Junho 19, 2009

Um Toque sombrio !








Jardins (s)em flor...




São como gaivotas de voo perdido
Entre o mar e o sal da viagem
Sombras de um silêncio manso.

Deitam-se nas águas da noite
E na paixão da sua margem
Procuram o merecido descanso.

Nas veias da madrugada
Vadiam corpos com imagem
(Incompleta)
Sombras de um silêncio manso.

Anunciam simples palavras
E falseiam os que na linguagem
Procuram o merecido descanso.

Habitam a noite obscura
De incerto luar...
Destruindo as flores que se deixam tocar.







Terça-feira, Junho 16, 2009

Um Toque misturado !







Deixo-me em mim...





Entre o azul do pensamento
E os sonhos verde-mar
Fica-me o rubro momento
Daquele sabor a cereja
Que o teu beijo vem saborear.



De azul e rubro, misturado
Nasce-me no corpo um temporal
Feito barco naufragado
Pela pele rasa de sede...
Que nem o teu beijo, sabe saciar!



Despida de cores...
Diluída de sabores...
Olhar raso de água-mar
Fico-me em mim...

Su@vissima








Terça-feira, Maio 26, 2009

O Toque de uma noite !








O sonho a chegar...


A noite passada
Vestiu-se de um sonho diferente
Ainda que igualmente urgente.



Um sonho de tempo cheio
Com as minhas mãos a descer
E a tua boca a tentar-me aprender.

Dedos que se desenham
Em gestos de escorregar
E lábios, que se querem encontrar.


Com mãos de fogo
Ateias em mim o rastilho
Ao soltar a tua boca no meu trilho.




Sexta-feira, Maio 01, 2009

Um Toque de Maio !







Uma história de (des)encantar...


Ele de nome Abril
Boina verde, cor de esperança
Ela, Vila Morena
Saia bordada em fios de bonança.

Amaram-se em Maio maduro
Um amor forte e único
Qual Lusitano de sangue puro!
Vestido de cravos e alegria.

Até que um dia...
Os cravos murcharam
E a alegria, de alma vazia
Esqueceu de olhar em frente...
Perdeu-se de nós!

Abril não soube resistir
À ganância, à mentira
Às palavras, feitas balas
Aos cravos que perderam a cor
Desistiu e fez as malas!

E assim foi embora...
Deixando Vila Morena
De sorrisos amordaçados
Sonhos tristes e calados.

Agora, o povo envergonhado
Olha-o a descer a rua...
Perdido
Esquecido
Sem rumo, sem futuro
De mala pesada (cheia de nada!)
Lembrando aquele Maio maduro
Quando acreditou que a felicidade
Rimava com liberdade!


Segunda-feira, Abril 13, 2009

Um Toque único !








Um só...




Desce...
Pela praia entre as dunas
E a enseada
(À hora da lua)
Em maré-cheia de água calada.

Roça...
Na ondulação, caminhos de frescura
Entre o sabor leve
E breve da pele madura
(À hora das amoras)

Visita...
(O tempo à hora do Amor)
E bebe da boca
Um beijo demorado
De esperado sabor
Um único! Desejado!

Um só beijo
Poema sem fim e sem dor
Escrito em ti.









Quinta-feira, Abril 02, 2009

Um Toque sem (a)mar !







A um mar de violetas...




Passeio-me à beira-(a)mar
Vejo silhuetas feitas búzios e conchas
Estrelas sem mar
E até cavalos-marinhos.


Nas suas pegadas, leio palavras nuas
Respiram maresias de outro Verão
E de outras (tantas) luas!


Nos meus passos
Nascem suspiros sem rumo
Perdidos entre os abraços
E esta vontade de ir por aí e parar...
Olhar-te e mergulhar bem no fundo de ti.


O mar, lambe-me o tempo enrolado
(na areia)
Invade o íntimo das sensações
Ora tempestuoso...
Ora carinhoso...
Num enleio de dois amantes esquecidos
(do nada!)


Persistente...
Marulha-me horas na nudez do coração
E à noite, nos caminhos violeta
(do meu quarto)
Veste-me de desassossego, de emoção...
Até que me deixo adormecer
(para lá de ti)


E sabes?!?
Houve um sonho que mesmo assim...
Inventou adjectivos ao beijo dos teus lábios
E te elevou acima do superlativo absoluto
( sintético, de mim!)
O erro foi tentar...
Definir os predicados nominais
(do verbo do teu toque)
Porque tu és quase mar...
Ora tempestuoso...
Ora carinhoso...









Sexta-feira, Março 20, 2009

O toque da poesia !






Ele (verso)...nela (poesia)



A poesia pinga da boca
Como saliva não saboreada...
E acorda o verso, que perdido
Entre a palavra e o nada
Espreguiça no desejo secreto
De ser o tudo da rima perfumada.


Beija o verso a poesia
Deixando-a de emoção arrepiada
Ele nela, cresce, mete e remete
Até sentir a pele de rimas, inundada.


Declama o verso à musa
Gemidos de poesia enamorada
(Toca-me as palavras)
Bebe-me esta sede misturada
Entre a orgia do ventre
E o prazer da língua molhada.


E de verso na boca
Beijo na palavra desnudada
Primavera em carícias de rima
Jorra pela pele a poesia acabada.

Su@vissima